Peixes possuem ‘impressão digital’ que revela sua origem, diz estudo Pesquisa revela como a tainha tem uma “impressão digital” que indica sua origem, ajudando a combater fraudes no setor pesqueiro. Um estudo recente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelou que a tainha, um peixe popular no Brasil, possui uma “impressão digital” que permite identificar sua origem. A pesquisa analisou as moléculas presentes no músculo da tainha e descobriu que a combinação dessas substâncias funciona como uma assinatura química.
Impressão digital química dos peixes
Os pesquisadores identificaram diferenças na composição do músculo da tainha oriunda de três regiões distintas do Brasil. Essas variações são influenciadas por fatores como a salinidade da água, a dieta dos peixes e suas adaptações ao ambiente. No total, foram identificados 23 compostos químicos que oferecem insights sobre o funcionamento biológico dos peixes, incluindo informações sobre gasto energético e atividade muscular.
Técnica inovadora de análise
Para conduzir essa investigação, a equipe utilizou uma técnica avançada conhecida como Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio, que funciona como um “raio-X químico”. Essa abordagem permite mapear a localização dos átomos de hidrogênio nas moléculas, integrando-se à metabolômica, que estuda pequenas moléculas resultantes de reações químicas no organismo.
Impacto no setor pesqueiro
As implicações dessa descoberta são significativas para a indústria pesqueira, pois a tecnologia pode ser utilizada para certificar a origem dos pescados. Os cientistas acreditam que essa “impressão digital” pode ser uma ferramenta eficaz para combater fraudes, como a troca de espécies e a falsificação de informações sobre a procedência dos produtos.
Indicação Geográfica da tainha
Além disso, essa técnica pode servir como base para solicitar a Indicação Geográfica (IG) para a tainha da Lagoa de Araruama, localizada no Rio de Janeiro. Esta lagoa é famosa por ser a maior do mundo com alta salinidade, que chega a 52%, impactando diretamente o metabolismo dos peixes que ali habitam. Com essas inovações, a pesquisa não só contribui para a ciência, mas também representa um avanço importante na proteção e valorização dos recursos pesqueiros brasileiros.







