Indústria de Fertilizantes Solicita R$ 2 Bilhões ao Governo para Sobreviver à Crise Setor de fertilizantes busca apoio do governo para mitigar impacto da guerra no Irã e garantir preços acessíveis aos agricultores. A indústria de fertilizantes no Brasil está em negociações com o governo federal para viabilizar a implementação de um programa de subvenção no valor de R$ 2 bilhões, com duração de três meses. O objetivo é fornecer adubos a preços acessíveis para os agricultores, evitando consequências prejudiciais para o setor e a economia nacional.
Necessidade de Apoio Governamental
Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil e Paraguai, destacou a importância desse programa em um cenário global marcado por altas nos preços dos insumos, consequência da guerra no Irã. A proposta foca principalmente no enxofre, cuja comercialização tem sido severamente afetada, já que 60% da produção mundial dessa matéria-prima, derivada do petróleo, transita pelo Estreito de Ormuz, onde o transporte está comprometido por conflitos armados.
Comparações com Outros Setores
Monteiro comparou a situação da indústria de fertilizantes com a do setor de petróleo, que recebeu subsídios bilionários para diesel e gasolina. “Estamos pleiteando uma subvenção semelhante”, afirmou, enfatizando a necessidade urgente de apoio governamental para evitar um colapso no fornecimento de fertilizantes.
Dependência de Importações
O Brasil, considerado uma potência agrícola, é um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, mas importa cerca de 90% do total que utiliza. Em julho, a Mosaic já havia anunciado medidas de redução temporária na produção de fertilizantes fosfatados, uma resposta às dificuldades na obtenção de enxofre, essencial para suas operações. Além disso, o executivo alertou que as perspectivas para o mercado de fertilizantes são negativas, com uma estimativa de queda na demanda, passando de um recorde de aproximadamente 49 milhões de toneladas em 2025 para entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas.
Impactos na Produtividade Agrícola
A economia no uso de adubos, impulsionada pelos preços altos, poderá resultar em problemas significativos de produtividade nas próximas safras de soja e milho, previstas para 2026/27. Monteiro também ressaltou que os agricultores enfrentam um cenário adverso, com margens de lucro reduzidas e dificuldades de acesso a crédito, o que agrava a situação do setor.
Queda nas Importações
As importações de fertilizantes já apresentaram uma queda de cerca de 10% até julho e uma retração de 50% em agosto, refletindo a menor demanda dos produtores. Embora o setor tenha conseguido, até certo ponto, gerir os desafios impostos pela guerra com estoques adquiridos antes do conflito, o futuro permanece incerto, especialmente se a situação no Oriente Médio não se resolver rapidamente.
Consequências Econômicas Potenciais
Monteiro alertou que a falta de implementação da subvenção solicitada pode gerar custos muito maiores para a economia brasileira. “A redução na produção de fertilizantes pode impactar negativamente a balança comercial e a atividade econômica, resultando em perdas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões”, afirmou. Ele enfatizou que, para cada R$ 1 investido na subvenção, poderia haver uma perda de até R$ 15 se nenhuma ação for tomada. As discussões sobre essa questão estão sendo conduzidas em colaboração com os ministérios da Agricultura, Minas e Energia, Casa Civil e da Fazenda, embora ainda não haja uma decisão final. Mesmo que a guerra no Irã terminasse hoje, Monteiro fez um alerta: pode levar cerca de 12 meses para que a oferta de fertilizantes se normalize, uma vez que fornecedores como China e Rússia também enfrentam restrições em suas produções.







