Em uma iniciativa para enfrentar a crescente alta dos preços da carne bovina nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma proclamação que permitirá uma ampliação temporária das importações desse produto com tarifas reduzidas. A medida, divulgada nesta quarta-feira (26), busca aumentar a oferta e, assim, aliviar os custos para os consumidores americanos.
Nova cota de importação
A nova cota, que entra em vigor a partir de 1º de setembro e durará 90 dias, abrange exclusivamente carnes magras, que são frequentemente utilizadas na produção de carne moída e hambúrgueres. Com essa mudança, os Estados Unidos poderão importar até 100 mil toneladas de carne bovina mensalmente. Segundo informações da Casa Branca, a expectativa é que essa ação resulte em uma redução de 25% nos preços da carne no mercado interno, além de aumentar a oferta do produto em 10%.
Impacto para o Brasil
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) confirmou que o Brasil será um dos países beneficiados pela nova cota, embora não seja o único. Entretanto, os ganhos esperados para a indústria brasileira podem ser limitados, já que a medida está associada a preços menores para os consumidores. O zootecnista Felipe Fabbri, especialista da Scot Consultoria, acredita que a ampliação das cotas e a redução das tarifas podem tornar a carne brasileira mais competitiva no mercado americano, possibilitando um aumento nas exportações.
Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros países, que geralmente é preenchida rapidamente no início do ano. Após isso, as carnes brasileiras podem continuar a ser exportadas, mas com a imposição de uma tarifa extra de 26,4%. Portanto, essa nova cota pode facilitar o acesso da carne bovina brasileira aos Estados Unidos.
Desafios do mercado americano
A ampliação das importações é uma resposta à crise enfrentada pelos consumidores americanos, que têm notado um aumento considerável nos preços da carne. Em junho, o custo de uma libra de carne moída atingiu US$ 6,82, um aumento de 79% em comparação com 2019. O especialista Fabbri aponta que essa alta é resultado da diminuição do rebanho e da produção nos EUA, em um cenário que ainda apresenta uma demanda robusta.
Além disso, os Estados Unidos enfrentam restrições na importação de gado mexicano, o que piorou a situação de oferta. Apesar de serem grandes produtores, os EUA precisam importar carne para atender à demanda, o que tem pressionado ainda mais os preços.
Expectativas do mercado
Embora a medida possa oferecer algum alívio, a real eficácia na redução dos preços para os consumidores ainda é incerta e dependerá das decisões estratégicas das indústrias locais. Trump também mencionou, durante um programa de rádio, que analisará possíveis regulamentações excessivas nas fábricas de processamento de carne, o que poderia facilitar a operação de agricultores e pecuaristas.
O Brasil como fornecedor estratégico
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. Entre janeiro e julho de 2023, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para o país, representando um crescimento de 17,1% em relação ao ano anterior. A receita das exportações atingiu US$ 1,54 bilhão, um aumento de 33,1% em comparação ao mesmo período de 2022.
Com cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras autorizadas a exportar para os EUA, a posição do Brasil como fornecedor estratégico está consolidada, especialmente em um momento em que a demanda por carne bovina continua a crescer. No entanto, a disputa entre os grandes frigoríficos americanos, que inclui investigações sobre práticas de preços, pode ainda influenciar o cenário.
A medida de Trump se insere em um contexto mais amplo de desafios e oportunidades no mercado de carnes, onde questões como o clima e a oferta global continuarão a moldar as estratégias de exportação e importação nos próximos meses.







