Impacto do veto da UE: carne mais barata no Brasil é improvável Entenda como a suspensão das importações pela UE pode afetar os preços da carne no Brasil e as perspectivas para o mercado. A União Europeia anunciou a suspensão das importações de carne bovina e de outros produtos de origem animal do Brasil, a partir de 3 de agosto. Essa decisão levanta a questão: será que os brasileiros podem esperar uma redução nos preços da carne?
Suspensão das Importações pela União Europeia
A medida da UE, que foi divulgada em maio, ocorreu após a exclusão do Brasil da lista de países que seguem as normas do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Esses produtos são utilizados para tratar doenças em animais, mas a UE proíbe seu uso para fomentar o crescimento e também restringe o uso de antibióticos reservados para humanos. Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado, afirma que a quantidade de carne bovina exportada para a UE é tão baixa que não deve impactar significativamente os preços no Brasil.
Dados sobre Exportação
Em 2025, a UE representou apenas 3,7% do total de carne bovina exportada pelo Brasil, conforme informações do Ministério da Agricultura. Os cortes mais comuns enviados ao bloco incluem filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole. Apesar de a suspensão ter potencial para afetar a oferta, Iglesias alerta que, mesmo com a redução das exportações para a UE, os preços da carne podem continuar subindo. Na prévia da inflação de agosto, o IBGE registrou um aumento de 8,53% nos preços das carnes em geral nos últimos 12 meses.
Expectativas de Preços
Iglesias observa que a tendência é de que os preços dos cortes nobres permaneçam altos, uma vez que a demanda por carne e a menor disponibilidade de bois para abate sugerem um cenário de alta. Em julho e agosto, os embarques de carne bovina diminuíram, mas a expectativa é que a indústria volte a crescer com foco no mercado chinês, que estabeleceu uma cota de importação para 2026.
Impacto do Veto e Reações do Setor
Além da carne bovina, a medida da UE afeta as exportações de frango, carne suína, mel, pescados e ovos. A decisão não foi motivada por irregularidades, mas pela avaliação de que o controle brasileiro sobre antimicrobianos é insuficiente. Representantes do setor agropecuário consideram a decisão um ato protecionista, especialmente após a implementação do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. O governo brasileiro tenta negociar com a UE desde o anúncio do veto. Em abril, foi proibido o uso de alguns antimicrobianos, e um novo protocolo de rastreabilidade foi proposto, mas ainda não foi aceito pelo bloco. Se a UE reverter sua decisão, levará de dois a três anos para que as exportações sejam retomadas devido ao tempo necessário para o ciclo de produção.
Futuro das Exportações de Carne
A ABPA, que representa a indústria de proteína animal, espera que as exportações de frango sejam retomadas em breve, dependendo do resultado da auditoria que está em andamento. Caso o bloqueio persista, a produção de frango poderá ser redirecionada para o mercado interno e outros países. A ABIEC, por sua vez, expressou preocupação com a situação, destacando que a UE é um mercado estratégico, valorizando cortes nobres e de alto valor agregado. O futuro das exportações de carne bovina e de frango do Brasil para a UE ainda é incerto, mas as negociações e a adaptação às novas normas são essenciais para reverter a situação.







