–:–:–
Conecte-se conosco

A onda de assaltos a farmácias: o medo e o trauma de trabalhadores

Nos últimos meses, farmácias em São Paulo têm sido alvo de uma série de assaltos relacionados a canetas emagrecedoras, gerando um clima de medo e insegurança entre os funcionários. A situação se agravou após a trágica morte da farmacêutica Karina…

4 visualizações
'Foram 4 assaltos em 10 dias': o pavor e trauma nas farmácias com roubos de canetas emagrecedoras

Nos últimos meses, farmácias em São Paulo têm sido alvo de uma série de assaltos relacionados a canetas emagrecedoras, gerando um clima de medo e insegurança entre os funcionários. A situação se agravou após a trágica morte da farmacêutica Karina Ribeiro, que foi baleada durante um assalto em fevereiro, levando trabalhadores a repensar sua segurança e saúde mental.

Um cenário alarmante

Humberto Maciel, atendente de farmácia, recorda com dor o momento em que sua colega Karina foi vítima de um assalto fatal. Os criminosos, em busca de canetas emagrecedoras, transformaram a farmácia em um campo de terror. “Eu corri e me escondi atrás do balcão. Quando virei, só vi a Karina no chão”, relata ele, que já havia presenciado doze assaltos em sua carreira. A crescente demanda por esses medicamentos, que podem custar mais de R$ 1,4 mil, tem gerado uma onda de roubos que traumatiza os trabalhadores do setor.

Impacto na saúde mental

A diretora do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, Adryella Luz, destaca que a saúde mental dos trabalhadores está em risco. “Trabalhar em farmácia já era difícil, e agora, com a violência, é ainda mais traumático”, afirma. Humberto, após o incidente que resultou na morte de Karina, enfrentou crises de ansiedade e estresse pós-traumático, levando-o a solicitar uma rescisão indireta do emprego por não se sentir seguro.

O aumento da criminalidade

Jonas Xavier, outro funcionário da farmácia onde Karina foi assassinada, também relatou experiências traumáticas. Ele testemunhou doze assaltos em um ano e ficou com uma arma apontada para sua cabeça em um dos episódios. “Antes, os assaltos eram raros. Agora, é frequente e os assaltantes nem sempre querem dinheiro, mas sim as canetas”, comenta Jonas, que busca também uma rescisão indireta devido à insegurança no trabalho.

Assaltos em série

Jefferson Machado, que trabalhou em uma farmácia 24 horas, compartilha sua experiência. Ele vivenciou quatro assaltos em dez dias, todos com foco nas canetas emagrecedoras. O clima de tensão é palpável, e os funcionários precisam lidar com a adrenalina e o medo constante. “A gente vai trabalhar pensando: como será o dia hoje?”, diz ele.

A resposta das autoridades

Apesar de uma aparente redução de 16% nos assaltos a farmácias em São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, o medo persiste entre os trabalhadores. O CRF-SP está pedindo uma revisão sobre a operação de farmácias 24 horas, questionando se a necessidade dessas lojas abertas à noite justifica o risco crescente para os funcionários. A segurança nas farmácias se tornou uma preocupação central, e ações policiais estão sendo direcionadas às áreas mais afetadas.

Conclusão sobre a violência no setor

A situação nas farmácias reflete um problema mais amplo de segurança e saúde mental no trabalho. A busca por canetas emagrecedoras não apenas alimenta o mercado negro, mas também coloca em risco a vida de trabalhadores que, como Humberto e Jonas, se veem em um dilema entre a necessidade de trabalhar e o desejo de preservar suas vidas. As farmácias, uma parte essencial do sistema de saúde, agora enfrentam um desafio sem precedentes que exige atenção imediata das autoridades e da sociedade.

Mais em Brasil

Ver tudo →